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Ilson Mateus relembra a trajetória de 33 anos do Grupo Mateus

Em entrevista inédita, o Presidente do Grupo Mateus fala dos obstáculos enfrentados e como uma mercearia tornou-se uma das maiores empresas varejistas do Brasil.

Publicado em:30/08/2019

Ilson Mateus

Quando um pequeno comércio que nasceu no interior do Maranhão torna-se a quinta maior empresa varejista do Brasil muita gente se pergunta qual o segredo para alcançar o sucesso. Ilson Mateus é bem direto quando fala nesse assunto: é uma combinação de trabalho árduo e persistência, contando sempre com a ajuda de seus colaboradores e parceiros ao longo das últimas três décadas.


Na semana em que o Grupo Mateus comemora 33 anos o Presidente do Grupo fala mais sobre sua jornada como empreendedor.


Assessoria de Imprensa: Foi um começo de vida difícil?


Ilson Mateus: Bastante. Nós éramos muito pobres, e depois que minha mãe ficou viúva tivemos que ir morar na casa do meu avô para conseguir sobreviver. É na dificuldade que a gente aprende a se virar. E foi a minha mãe quem me ensinou isso cuidando de mim e dos meus irmãos, mesmo com poucos recursos.


AI: O senhor costuma dizer que aprendeu a empreender ainda menino, como isso aconteceu?


Ilson Mateus:

Esse meu lado empreendedor eu devo muito a essa experiência lá atrás em busca de soluções pra vida. E tudo isso eu aprendi desde criança, na força, por necessidade que a vida me impôs desde muito pequeno. E eu acredito muito que aquilo aprendido pelo sofrimento tem um grande valor. São lições inesquecíveis que trago comigo até hoje.


AI: Aos dezessete anos o senhor já tinha trabalhado na fabricação de aguardente, depois na revenda desse produto. Como foi a vida depois disso?


Ilson Mateus:

Os tempos eram mais difíceis naquela época e eu não consegui me firmar. Depois que o negócio com cachaça acabou, eu virei garimpeiro.

Fui com um primo e, juntos, carregávamos mantimentos nas costas por horas mata a dentro até chegar no barranco. Lá passávamos dez dias em busca de ouro. Mal dava pra comer com o pouco que a gente arrecadava. Mas tem uma história engraçada: um dia eu quase apanho dos meus colegas porque na subida da escada eu escorreguei e derrubei todo o ouro da semana no chão!


AI: E foi depois disso que o senhor deu o pontapé inicial nas atividades do Grupo Mateus?


Ilson Mateus:

Ainda fomos para a Serra Pelada, no Pará. Foi no auge da febre do ouro e lá eu conheci uma pessoa que me falou da cidade de Balsas, no Maranhão. 

Foi, de fato, quando começou a surgir o primeiro momento do Grupo Mateus. Pegamos uma carona de Serra Pelada até Imperatriz em um pau de arara porque eu não tinha dinheiro nem pra passagem. Eu nem sabia onde era Balsas, mas eu não tinha medo de enfrentar novos desafios. Quando cheguei lá pela primeira vez eu tive, logo de cara, um sentimento de que as coisas ali dariam certo para mim.


AI: Como foi o início das atividades em Balsas?


Ilson Mateus:

As viagens geraram um lucro com a venda dos refrigerantes, e eu comprei mais um caminhão para fazer venda de outros mantimentos para diversos pontos comerciais ao longo do caminho até Balsas. Depois de um tempo, isso já em 1986, em pleno plano cruzado, eu percebi que seria uma boa ideia montar uma mercearia para vender aquelas mercadorias que sobravam e não tinham sido compradas pelos comerciantes da região. A nossa primeira loja ficava em um salão de 5 por 10 metros, foi ali o primeiro “Armazém Mateus”. Deu tão certo que eu tive que contratar um motorista pra assumir as viagens que eu fazia e fiquei só dentro da mercearia para tocar as vendas.


AI: Quais são as lembranças desse primeiro momento do Grupo Mateus?


Ilson Mateus:

Na época do plano cruzado os preços eram todos tabelados, então eu resolvi fazer promoções! Organizei um sábado de ofertas e dois dias antes botei um carro som pra rodar por Balsas fazendo a propaganda. Éramos só eu e Dona Maria Barros Pinheiro no caixa da mercearia e naquele sábado a loja ficou tão lotada que zeramos todo o nosso estoque antes do meio-dia. Foi naquele momento que eu pensei “o caminho é esse mesmo, fazer promoção!” e isso trago comigo até hoje.


AI: Quando essa estrutura que começou no interior expandiu?


Ilson Mateus:

Eu demorei muitos anos para abrir uma filial porque tinha receio de não conseguir administrá-la e perder dinheiro. Abrimos nossa segunda loja em Imperatriz e foi onde eu aprendi sobre controle de estoque, inventário de mercadorias, coisas que até então eram desconhecidas para mim. Eu tinha o sonho de ir para São Luís, mas na minha cabeça era algo muito difícil de alcançar por conta da concorrência que era muito acirrada.


AI: Como foi a chegada até a capital do Maranhão?


Ilson Mateus:

Nós compramos duas lojas: uma na Cohab e outra no Renascença. Eu ficava imaginando como competir com outras redes que tinham mais estrutura e tempo de mercado, mas não desanimamos. Montamos uma grande ação promocional para a inauguração, buscamos equipamentos nas nossas lojas do interior e então abrimos nossas primeiras filiais na capital. Na época anunciamos que as três primeiras compras seriam de graça! As lojas ficaram lotadas!


AI: A expansão aconteceu e hoje o Grupo Mateus tem unidades no Maranhão, Pará e Piauí com mais de 24 mil colaboradores. A marca Mateus está entre entre as maiores do Brasil. Existe uma receita pra esse sucesso?


Ilson Mateus:

Não existe uma receita, existem pilares que dão sustentação a um negócio no ramo do varejo. Por isso investimos em controle de material, logística, mas principalmente na formação dos nossos colaboradores. É nesse momento em que colocamos o DNA da empresa nessas pessoas que fazem o Grupo Mateus conosco. Por isso nossos gerentes, subgerentes e supervisores são gente de casa, pessoas que começaram conosco em funções operacionais e que foram se qualificando. Sempre pensando que quando um colaborador cresce a empresa cresce junto também. E claro, contando também, sempre, com os parceiros que acreditaram na nossa ideia e apostaram na gente como empresa.


AI: 33 anos depois da primeira mercearia em Balsas, o que lhe motiva a seguir crescendo?


Ilson Mateus:

O que me motiva hoje é poder construir, gerar oportunidades, poder aprender e fazer coisas diferentes. É isso o que nos impulsiona. Nós temos que olhar o futuro, de fato, como uma oportunidade. Nós temos que ser inventores e olhar pra frente sabendo que muita coisa ainda pode ser feita para contribuir com a sociedade. O empreendedorismo é a chave pro futuro, é isso que impulsiona a economia e faz de nós aquilo que somos hoje.


AI: Qual o sentimento que o senhor tem hoje, depois de vencer tantos obstáculos ao longo de mais de três décadas?


Ilson Mateus:

Eu acredito que não estou aqui por acaso, que Deus tem um propósito na minha vida. Muita gente tem sonhos, mas nem todos têm a coragem pra ir atrás, encarar seus medos e desafios pra fazê-los acontecer. O que eu digo pra quem quer empreender hoje é simples: acredite nos seus sonhos, transforme isso em metas e trabalhe para atingir cada uma delas. Não pode ter medo, ou então não vai a lugar nenhum. 


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