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Dia do Surdo - 26 de setembro: conheça a inclusão de colaboradores surdos do Grupo Mateus

Publicado em:25/09/2019

Assessoria de comunicação

Mudo, surdinho, mudinho ou surdo-mudo são muitos os nomes atribuídos as pessoas surdas. Segundo dados do IBGE, 16,7% da população brasileira é composta por deficientes auditivos que encontram diversos obstáculos para acessarem alguns direitos como a comunicação e o trabalho.

Para a comunicação existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), reconhecida desde 2002. Já para o acesso justo ao mercado de trabalho, foi citada a Lei de Cotas. A Lei prevê que grandes empresas tenham um número mínimo de colaboradores com deficiência nos seus quadros – de 2% a 5% do número total de funcionários. No entanto, o que acontece na prática, é que poucas empresas realmente seguem a lei de forma correta.

Enquanto que para algumas organizações o cumprimento da lei é visto como obrigação, para o Grupo Mateus, a Lei de cotas é vista como uma oportunidade de construir um ambiente mais diverso e inclusivo. Só o Grupo já recrutou 197 surdos no Maranhão e Pará. 

“Recrutamos cada vez mais surdos por acreditarmos em seu potencial no mercado de trabalho. Enxergamos o surdo como uma pessoa normal, a única diferença entre nós ouvintes e eles é a língua, mas essa diferença é vencida por meio do aprendizado. Eu sempre falo, não é uma deficiência deles é uma deficiência nossa de não saber a língua de sinais. Afinal, o surdo não vai aprender a falar, mas nós podemos aprender a língua deles”, defende Lucidalva Pinheiro, coordenadora do setor de responsabilidade social do Grupo. 

Há 9 meses no cargo de frente de loja, Laerte José compõe o quadro de colaboradores surdos do Grupo Mateus, em São Luís e reconhece. “Aqui eu sou tratado como uma pessoa normal, tenho amigos, converso com todo mundo. Eu até ensino meus amigos de trabalho um pouco de LIBRAS”, diverte-se.

Para o recrutamento, o processo de seleção dos colaboradores surdos segue o mesmo padrão dos ouvintes — pessoa sem deficiência auditiva. A única diferença é na hora da entrevista. “Temos um corpo de profissionais do setor de responsabilidade social com qualificação na língua de sinais que auxiliam na interpretação na hora da entrevista com os gerentes, que buscam identificar as habilidades do surdo e a melhor maneira para que ele possa contribuir com o trabalho aqui na empresa”, explica Lucidalva.

Depois de selecionado, o novo colaborador recebe o acompanhamento dos profissionais com o domínio da língua de sinais que auxiliam no processo de adaptação. “Explicamos os processos, deveres e direitos desses colaboradores dentro da empresa para que não haja dúvidas e que consiga desenvolver o seu trabalho como qualquer outra pessoa”, enfatiza Lucidalva Pinheiro.

Ana Isabel, de 40 anos foi uma das colaboradoras surdas que recebeu o acompanhamento. “Já trabalho há 6 anos aqui e quando comecei recebi o apoio de todos os profissionais. Isso me ajudou a apreender e exercer a minha função com qualidade”, afirma satisfeita. 

Para o presidente do Grupo Mateus, Ilson Mateus, estar à frente de uma das empresas com maior número de colaboradores surdos é um orgulho. “Os surdos são pessoas como nós que lutam e merecem ter seus direitos respeitados. Muitas vezes esse grupo é esquecido na sociedade e nós buscamos de todas as formas fazer com que esses colaboradores se sintam parte e igual a qualquer outro colaborador dentro da empresa”, orgulha-se.


LIBRAS para ouvintes

Além de proporcionar acesso justo ao mercado de trabalho, o Grupo Mateus investe na formação em LIBRAS dos colaboradores ouvintes. Em São Luís o curso de formação básica em LIBRAS já está na quarta turma e em Imperatriz uma turma de gerentes e colaboradores também foi formada. Já no estado do Pará, a primeira turma começou a dar seus primeiros passos.

De acordo com Lucidalva, investir na formação desses colaboradores é fundamental tanto para os funcionários surdos quanto para nossos clientes. “Encaramos a formação como o caminho para proporcionar a nossos funcionários e clientes uma comunicação clara e eficiente. Então para prestarmos esse atendimento tanto interno quanto externo a gente precisa também se qualificar”, pontua.


Treinamento 

Assim como os colaboradores ouvintes, os surdos também passam por treinamentos de qualificação e preparado dentro do grupo. Os treinamentos, feitos dentro da NIDUU — startup de treinamento corporativo através do uso da gameficação — são os mesmos aplicados aos ouvintes, mas com uma única diferença: a legenda. Além disso, para garantir treinamentos ainda mais eficazes, interpretações em LIBRAS serão inseridas no aplicativo, facilitando a compreensão do surdo. “Já estamos na fase final de gravação dos vídeos com os intérpretes. Esses vídeos serão inseridos no canto inferior da tela do próprio aplicativo para que o colaborador surdo tenha um entendimento mais claro nos treinamentos”, finaliza.


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